27 de março de 2017 Por
1 Em Comportamento/ Reflexões

Um amor que viveu de saudade

Olá pessoal!

Tenho escutado tantas histórias ao longo do tempo, que resolvi criar uma “romântica triste”. Queria saber sua opinião no final.

Na vida, a gente se depara com diversos tipos de relacionamentos. Uns mais intensos, outros superficiais, outros por obrigação profissional e outros por conveniência, que podemos até chamar de diplomáticos.

Existem certos relacionamentos dos quais não se tem como fugir, pois é preciso ter uma certa convivência, por obrigação. Mas esses, a gente aprende a tirar de letra, tratando a outra parte apenas superficialmente, de maneira gentil, mas sem intimidade. A lista é enorme. O chefe que você não admira, o pai ou mãe dos seus filhos quando a amizade não permanece, aquele cunhado chato, a cunhada cricri, o concunhado perverso, a famosa sogra cobra etc.

Cada um sabe definir muito bem o relacionamento que deve ter. Tudo na diplomacia, com gentileza, sem mentiras, mas sem amores. Uma relação mais distante, mas que precisa existir. Infelizmente, temos que atravessar a vida, muitas vezes de mãos dadas, por questão de sobrevivência. As regras são claras e ninguém se ilude.

Mas, quando se trata de relacionamento amoroso… a vida pode ser mais difícil que imaginamos.

Foto pixabay.com

Maria conheceu alguém especial que se tornou um amigo. Aquele cara pelo qual você se encantou, que trouxe cores para sua vida e fez renascerem as borboletas na barriga, alegrou sua vida, a fez escrever poema, reacendeu o seu tesão por tudo.

Tudo era motivo de alegria, uma simples caminhada na floresta até uma noite romântica na praia silenciosa, à luz de velas e brilho do luar.  Com ele, não era preciso nada de extravagante para viver o tão aguardado amor.

Comer num quarto de hotel um  sanduíche barato, comprado no supermercado, era mais especial que um jantar em restaurante sofisticado. E tudo que era simples se tornava especial, porque o tempo de encontro era pouco.

O tempo era escasso e as agendas lotadas não permitiam encontros longos. Em questão de dias, cada um deveria voltar para sua cidade e retomar a vida que havia deixado por lá.

A paixão era efervescente. Os encontros eram recheados de muito amor, muita loucura, muito tesão e muita, muita conversa. Os diálogos era longos e abordavam todos os tipos de assuntos, desde sobre os livros mais interessantes, os melhores filmes, as cenas mais divertidas, aprendizados de como ser uma pessoa melhor, até sobre o que comeu ou deixou de comer.

As horas escorregavam entre os dedos quando estavam juntos e, quando distantes, os dias eram mais lentos, a sensação era de que o filme da vida tinha sido gravado em câmera lenta.

Estavam prestes a cometer uma loucura. Ele pensou em terminar o relacionamento de 7 anos com a namorada, e ela em terminar um casamento consolidado de 20 anos.

Foto pixabay.com

A decisão não estava sendo fácil para nenhum dos dois, já que ela tinha filhos pequenos e ele tinha data marcada para casar com a moça rica da cidade, filha do homem mais poderoso da região do nordeste.

Resolveram então não decidir absolutamente nada e deixar a vida os levar. O rapaz até escolheu como trilha sonora do relacionamento a música de Zeca Pagodinho e cantava no pé do ouvido de sua nova paixão “deixa a vida me levar, vida leva eu” enquanto sua cúmplice ria da criatividade e de seu humor.

Por morarem em cidades distantes cerca de 1 hora e meia de voo, os encontros eram fáceis de administrar, pois a ponte aérea Rio-Brasília ajudava a unir  qualquer coração apaixonado.

No início, as trocas de mensagens eram e cheias de paixão, os encontros quase mensais já faziam parte de uma agenda atribulada de ambas as partes.

Com o passar dos meses, a coisa foi diminuindo. Ela percebeu que ele já não dava mais tanta bola. Começou com o famoso papo de que ela estava pressionando, ou que ele estava de férias com a noiva e não queria se estressar.

Ela, como toda mulher, queria uma decisão da parte dele. Estava prestes a se separar, quando, ele de uma forma indireta, sinalizou que a vida com a noiva seria mais confortável e promissora.

Lentamente os assuntos foram diminuindo e os encontros entraram no mesmo ritmo. Até que, em certo momento, deixaram de se falar todos os dias, e nenhum dos dois queria mencionar seus ciúmes e suas ausências, para não incomodar nem pressionar o outro.

Começaram a se perder e não saber mais um do outro, com suas rotinas e suas preocupações. As palavras trocadas nas mensagens se reduziram à palavra saudade, escrita de forma abreviada com sdd.

Já não havia mais tempo um para o outro.

Certo dia, ela estava na varanda de sua casa vendo um dos filhos jogar futebol, e lembrou que, no começo do relacionamento, seu amor escondido leu um livro dado por ela, que continha a informação de que toda paixão tem o prazo de dois anos para sobreviver. E aquilo a deixou pensativa, pois naquele mês se completaria o tal fatídico período.

Ela percebeu que, lentamente, o relacionamento foi morrendo e, ao completar dois anos, a única coisa que restou foram as últimas palavras trocadas nas últimas mensagens: Saudade, ou melhor, sdd.

Sentada ainda na varanda, pegou seu caderno e começou a escrever um texto para expressar o vazio que só a saudade é capaz de inspirar:

Foto pixabay.com

Querido amor,

não o culpo por nada que não pôde acontecer. Preciso voltar a ser inteira,  não me cabe dividir em diversas partes. A vida é como pode ser. E é fruto das nossas pequenas decisões diárias. Nós optamos por deixar a vida nos levar e cá estamos, distantes e perto ao mesmo tempo, mas isso já não nos acrescenta nada. 

Tentamos terminar por diversas vezes e foram inúmeras tentativas frustradas, mas desta vez é pra valer. As crianças precisam de mim e eu não posso estar ao seu lado. Um dia, quando você tiver seus próprios filhos, talvez entenda esse meu sentimento. 

Para sempre estarei pensando em você, e serei eternamente grata por tudo que você representou. Sem você jamais poderia ter vivido os nossos momentos, tão somente nossos. 

Agora a única  coisa que me resta é a saudade. 

Saudade de quem você não foi pra mim, saudade de quando estive em seus braços e pude ser eu, saudade dos sorrisos, dos aprendizados, das borboletas dançando em nossas barrigas, do pôr-do-sol ao som da música dos passarinhos, das madrugadas ardentes, dos choros, das inseguranças. 

Você me rejuvenesceu, trouxe esperança e despertou uma mulher adormecida pela idade e problemas de uma família. Mas agora sei que é hora de partir, é uma dor estranha, não doída, mas que precisa ser vivida. 

Não se preocupe, guardarei no meu coração apenas as boas lembranças e deixarei somente o sentimento da saudade. Aquela  saudade de um amor que viveu e que saiu de fininho, se despediu sem dizer adeus. 

Lembre-se de olhar a lua. Pode ter certeza que, ao vê-la, estarei pensando em você. E, assim, poderemos nos comunicar através dos astros, e viver o que o universo não nos deu. 

Para sempre,  Maria Antonieta. 

Que triste né? E ai e você? O que teria feito? Qual o sentido de relacionamento para você? O que você acha? Maria devia se separar e viver esse amor? e seu namorado deveria ter deixado a noiva ou contar  a verdade para ela?

Qual é a sua opinião?

Beijos e até o próximo post.

 

kely Pelo Mundo

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Comentários

  • Reply
    Iana Leite Martins
    27 de março de 2017 at 6:08 pm

    O amor e suas mais variadas formas de se revelar! Acho que aconteceu exatamente o era para ser.. Boas histórias nos faz pensar em nossas vidas.
    Bjs

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