6 de fevereiro de 2017 Por
2 Em Comportamento/ Reflexões/ Viena

Seja leve

borboleta

Este mês completa 11 anos que mudei para a Áustria e, desde o início do ano, a frase “seja leve” tem acompanhado de forma intensa meus pensamentos. Acho que será meu mantra para este ano.

Os últimos dois anos foram bem difíceis para mim. Foram meses complicados num péssimo ambiente de trabalho, descobertas de doenças graves na família e perda de entes e amigas queridas.

Realmente, precisava de uma pausa e, tive o privilégio de ir ao Brasil passar 3 semanas de férias. Essa foi a primeira vez, desde que eu mudei, que estive por tanto tempo na minha cidade na natal.

Ao chegar em Brasília, depois de quase dois anos e meio, muitas coisas me incomodaram, afinal os costumes e hábitos austríacos são bem diferentes dos nossos. Assim, precisei de uns dias para me readaptar ao ritmo e à nossa cultura.

Pode parecer esnobe e estranho para quem lê, mas foi exatamente assim que me senti. Uma estranha. Estranha de mim mesma. E foi incrível, pois para cada sentimento de estranheza ou de inquietação a frase “seja leve” surgia me acalmando.

Precisei de aproximadamente 3 dias para me acostumar com as coisas, tanto as coisas boas quanto as ruins, que só a nossa cultura pode nos oferecer. Curiosamente, pegar o carro e dirigir por minha cidade me deu a sensação de estar em casa novamente. Foi uma delícia rever amigos e familiares. Os dias foram tão intensos, mas consegui encher o tanque de amor e carinho que eu tanto precisava para voltar para a minha casa na Áustria, onde meu coração também está.

E, voltando pra casa, passei a refletir sobre muitas coisas, e percebi que minha alma grita para cantar meu novo mantra de 2017. E aqui vai um pedacinho do que aprendi.

Seja leve ao ouvir o que você sente, ao escutar o outro, ao administrar seu tempo,

Seja leve com quem não lhe entende, com estranhos, com seus amores,

Seja leve nas suas palavras, nos seus gestos,

Seja leve com seus medos e temores,

Seja leve.

Seja leve porque tudo passa e, no final, não será o que você fez, mas como você fez.

Não serão os resultados efetivos da conclusão de um projeto, mas a maneira como você o conduziu.

Seja leve com a deficiência alheia e com suas próprias falhas.

Mude o que precisa ser mudado e aceite o que não pode ser alterado.

Seja leve como uma borboleta que nasce feia e velha, anda devagar e se fecha no casulo para depois, borboleta, poder voar, linda e jovem.

Seja leve para você e com você.

 

Foto e texto: Kely Martins Bauer 

revisão: Maria Lucia Castelo Branco 

kely Pelo Mundo

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2 Comentários

  • Reply
    Iana Leite Martins
    6 de fevereiro de 2017 at 11:53 am

    Uma boa para o começo de um novo ano. Que 2017 seja leve. Fazer um balanço das nossas emoções, atitudes é um exercício de transformação. Ser grata é também uma atitude de renovação. Muito disso aprendi com você e agradeço por compartilhar desses momentos com você. Bjs e sucesso sempre!

  • Reply
    Súlia Coelho
    9 de fevereiro de 2017 at 7:00 pm

    Lindo e inspirador texto. Que sejamos todos leves…
    Beijos!

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