9 de agosto de 2017 Por
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Holanda – A Casa da Anne Frank em Amsterdam

Diário de Anne Frank

Sou o tipo de turista que não precisa ir, necessariamente, a todos pontos turísticos famosos. Já fui aquela turista ansiosa, do corre-corre para poder ver tudo em pouco tempo. Mas, ultimamente, tenho aderido à filosofia que aprendi aqui na Áustria, onde menos é mais.

E isso tem se expandido em todas as áreas da minha vida. Para você ter uma idéia, já fui a Paris umas 5 vezes e nunca subi na torre Eiffel por causa da mega fila, e demorei anos para passear pelo castelo de Versalhes.

Já fui a Barcelona e não entrei na igreja Sagrada Família, por não querer enfrentar filas gigantes. E já deixei de ver muitas coisas em muitos outros destinos.

Recentemente, estive em Amsterdam, e planejei um roteiro muito simples, de apenas  algumas horas. E acabei descobrindo uma brigaderia e a melhor torta de maçã (leia aqui as dicas).  Aproveitei também para conhecer o museu da Anne Frank,  onde ela viveu  os últimos dois anos anteriores ao seu assassinato no campo de concentração, durante a segunda guerra mundial.

É claro que esse é um programa que está dentro da rota básica de quem visita a cidade, mas se eu fosse você me organizaria para visitar o museu, pois essa é uma dica imperdível e prioritária para o seu roteiro.

Ticket 

Se não quiser enfrentar a enorme fila para comprar o ingresso, eu aconselho comprá-lo pela internet. Aqui os tickets são disponibilizados com dois meses de antecedência e horário marcado, o que é ótimo para que seu dia seja bem planejado.

Agora se você quiser arriscar e tentar comprar o ingresso na hora prepare-se para aguardar numa fila que dobra  a esquina. A entrada para o pessoal que vai comprar  o ticket na hora começa às 15:30h. Dê uma olhada no site, que tem muitas informações, inclusive em português.

Vou dividir com você minhas observações para um passeio bem interessante.

museu de anne frank

Guia Áudio

Eles também oferecem o guia áudio muito bem explicadinho e super moderno, em Português. É prático de usar! Na parede dos cômodos do museu tem um sensor onde você ativa a explicação do guia, apenas direcionando o aparelhinho para o sensor e, automaticamente, já consegue ouvir as explicações. Muito fácil.

Fotograr é proibido 

Não é permitido fazer nenhuma fotografia e confesso que adorei a proibição. Assim ficamos concentrados apenas nas explicações e na observação dos objetos, sem a possibilidade de distrações externas.

Foto: Flickr.

Anne Frank  

Mas muita gente ainda pode se perguntar  quem foi Anne Frank? Não se sinta excluído se você não sabe de quem se trata.

Anne Frank foi uma menina  alemã de origem judaica que cresceu na Holanda. Aos 13 anos de idade, ela, sua família e alguns amigos próximos foram obrigados a usar um esconderijo para fugir das perseguições dos nazistas. O ambiente foi  criado na fábrica do seu pai, um comerciante que vendia extrato de frutas para fazer geléia, ervas, sais e temperos.

No período da guerra, Anne se inspirou num pronunciamento feito no rádio pelo Ministério da Educação, pelo qual as pessoas foram incentivadas a deixarem por escrito seus testemunhos para que fossem revelados após a guerra.

A menina passou a escrever em um diário suas observações e a difícil  rotina no esconderijo. Após seu assassinato no campo de concentração, seu pai, o único sobrevivente da família, publicou o diário, realizando o sonho de Anne de ser uma grande escritora.

O diário

Foi escrito em holandês e traduzido para diversas línguas. Se possível, leia o livro antes de visitar o museu,  para que possa ter uma experiência mais profunda por lá.

Diário de Anne Frank

Foto: Kely Martins Bauer

A visita

Eu fui sem a menor expectativa sobre o museu, mas prepare-se e leve lencinhos de papel, especialmente se você leu o diário de Anne Frank. Ao entrar no museu você verá apenas salas vazias e ouvirá explicações que vão levá-lo de volta ao túnel do tempo.

Passando por cada sala você conseguirá visualizar a rotina de confinamento e a vida de pessoas perseguidas na época da segunda guerra mundial.

Uma coisa que me chamou muito a  atenção dentro do museu são as escadas íngremes da casa. O museu não possui móveis, mas apenas lembranças e documentos que retratam uma época difícil e cruel.

Em uma das salas é possível encontrar uma lista de proibições a que as pessoas estavam submetidas apenas por serem judias, e não importavam se elas eram liberais ou não.

A lista era grande e entre elas estavam não poderem ter bicicleta, não poderem sentar em seus próprios jardins após às 8:00 da noite, estavam proibidos de frequentar salões de beleza, barbearias de não judeus, assim como as crianças foram obrigadas a mudarem para escolas especificas para judeus  e uma série de outras restrições.

No esconderijo, é possível imaginar o medo e pânico vivido intensamente naquele período ali. Imagina você não poder ir ao banheiro durante o dia, tendo que fazer suas necessidades em horários restritos, passar o dia em silêncio, sem ver a luz do dia e com grande medo de ser descoberto e receber sua “sentença de morte”?

Visitando o museu repensamos muitas coisas que a história nos conta. Confesso que eu me acabei de chorar.

Por que emociona? 

A medida em que se anda pelos quartos, vamos tendo idéia de quão intensa e terrível a guerra foi para as pessoas que viveram naquele período. O medo, a desconfiança, o ódio disseminado, o racionamento de comida ficaram como mazelas da humanidade.

Mas, por outro lado, lá também nos é revelado que a solidariedade e o amor, apesar de todas as circunstâncias contrárias, são capazes de mudar e reinventar a história das pessoas. É uma emoção que só estando lá para sentir.

Tempo de visita

Reserve pelo menos duas horas para a visita, para que você possa passear pelos cômodos de maneira calma e observar os detalhes do museu que, aparentemente, é vazio, mas rico em muito conteúdo e energia.

Filme/ documentário  no final da exposição

No final da visita há um vídeo com depoimentos de várias personalidades do mundo, que expressam  a importância dos relatos da jovem judia, inclusive com declarações de amigos e conhecidos que conviveram e se apaixonaram pela personalidade de uma menina tão intensa na sua percepção de vida.

Vale a pena assistir o documentário de apenas 8 minutos e refletir sobre as palavras profundas proferidas por  pessoas que admiram o talento de Anne, assim como por aqueles que conviveram com a menina.

Loja  

Na loja do museu é possível ver o livro em diversas línguas, inclusive em português, além de outros livros e folders explicativos.

Café

Finalizando a visita ao museu, aproveite para usar as instalações como banheiro e  Café, lembrando que no  Café há uma excelente conexão de internet.

Bom, vou ficando por aqui, mas antes queria aproveitar a oportunidade para agradecer ao  Museu da Anne Frank por nos ter proporcionado essa visita tão maravilhosa.

Espero  que tenha gostado, e, se você já foi ou pretende ir, deixe aqui um comentário contando sua experiência/ expectativa.

Um abraço e até o próximo post

Anne Frank

Amsterdam ganhou uma conotação completamente diferente desta vez que estive por lá. Feliz por conhecer mais da bondade do ser humano e que sonhos foram feitos para serem realizados. Enquanto houver sonhos há esperança.

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Texto e fotos: Kely Martins Bauer

Revisão: Maria Lucia Castelo Branco

kely Pelo Mundo

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