6 de agosto de 2014 Por
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Comprou, pagou, montou

Fa_a_voce_mesmo_2Mão de Obra na Áustria é bem cara, então geralmente quando algo quebra, muitas vezes, sai mais barato comprar um novo do que mandar para o conserto.

Outra opção é faça você mesmo (“Favome”) ou DIY em inglês.

Logo que me mudei para Viena fiquei bem assustada com o novo mundo onde a gente paga, leva e monta.

Lembro como hoje o dia em que fomos ao Ikea, uma loja de móveis tipo Tok Stok, mas com preços bem mais em conta, pra comprar uma mesa para montar o meu escritório, afinal após quase um ano estudando na sala de jantar, chegou a vez de criar um espaço só meu.

Chegamos no AP com a mesa empacotada e meu namorado na época, hoje marido, me chamou pra montar o novo móvel. Tomei um susto, afinal quem monta mesa no Brasil é o rapazinho da loja, não!? Não, aqui não meu Amor, somos nós…

E lá fui eu, ou melhor ele com minha misera assistência, montar minha mesa.mulher-independente

Dias depois fomos visitar uma amiga que inaugurava sua casa. Era verão e todos os amigos estavam lá, inclusive os que ajudaram na construção da nova estrutura.

Ao apresentar os cômodos, ela, diretora de várias escolas ou seja, uma mulher financeiramente bem sucedida, fez questão de dizer que instalou o piso de pedras com as próprias mãos… e a minha cara de choque foi inevitável.

Tudo bem que Sonia é forte e independente, mas eu jamais pensei na possibilidade de fazer algo assim.

Minha cabeça até então onde você paga e alguém faz, demorou alguns bons minutos para entender a razão daquilo tudo. E pensei: “nossa e eu me senti orgulhosa de ter montado uma mesa…Como sou medíocre” rs.

E assim fui aprendendo a dar valor em fazer, economizar, aprender e realizar.

Muito interessante a cultura que te ajuda a ser independente e a valorizar o serviço de outrem.

Não obstante, saímos com um casal de amigos que freqüenta os mais nobres salões e as rodas mais elegantes e sofisticadas da Áustria.

Porém em casa as atividades de manutenção do dia a dia são divididas.

Ele cuida do jardim e ela das tarefas dentro de casa; passa todas as roupas, lava e cozinha.

O mais divertido é conversar com ela, que conhece o mundo a fora nos mais requintados estilos, e ouvi-la falar que  aprendeu isso ou aquilo em documentários enquanto passava a roupa. Gostei do exemplo.

E pra finalizar meu herói! Lol!

Ele, o cara mais independente que conheço.

Meu marido é do tipo que faz tudo, sabe desde pregar prego na parede até consertar motor de carro. Desenvolveu muitas das habilidades nos tempos de estudante. Atualmente só conserta o que realmente gosta e quer “perpetuar”.

Ligado em tecnologia ele já tem tudo em MP3, Apple TV, iPad e todos seus derivados desde a primeira geração, mas hoje passou mais de duas horas consertando um aparelho de som comprado há mais de 20 anos.

E eu!? Ah….estou ainda aprendendo a consertar, lavar e passar. Bonito Isso! Às vezes titubeio e ainda acho mais conveniente pagar para alguém fazer pra mim, mas Harry muitas vezes me mostra o quanto pode ser divertido o DIY.

No final do mês passado trocamos o colchão da cama. Anteriormente tínhamos dois colchões de solteiro na cama de casal, porque o dele era mais duro e o meu mais mole. O que era mais fácil e simples pra trocar. Agora achamos um que será bom para os dois.

Fomos até a loja e compramos um único enorme. E agora quem vai transportar?

Eu por mim tinha alugado um frete, mas ele não concordou. O jeito foi colocar a mão na massa.

Lá fomos nós… cortar o papelão da embalagem…amassa daqui, amassa de lá…

Por fim conseguimos, com mega esforço encaixar o colchão no carro. As tentativas renderam boas risadas.

No caminho de casa encontramos na estrada outros que como nós também optaram pelo DIY.

Só que eles estavam com carro que facilitara o transporte. Gostei tanto que até achei mais um motivo pra comprar um carro conversível.(Risos)

E assim vou levando a vida e a cada dia entendo o verdadeiro significado de que independência é saber fazer, mas fazer somente quando se quer fazer. E acima de tudo jamais esquecer de valorizar quem faz quando não quero fazer.

Beijos

Texto: Kely Martins Bauer / Revisão: Cinthia Stylianou

 

Foto-54

Consertando

Foto-55

Olha o tamanho. Grande! não?

Foto-52

Da próxima vou de conversível hahaha

 

kely Pelo Mundo

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Comentários

  • Reply
    Ana Paula
    6 de agosto de 2014 at 8:31 pm

    Preciso exercer mais as minhas habilidades! Amei o texto!

  • Reply
    Maria Celeste Pedroso
    7 de agosto de 2014 at 7:19 am

    Adorei !!! E verdade ! E superacao ! E aprender tds os dias ! 😥😰😊😀👏🔧🔩🔨✂️

  • Reply
    Delma
    7 de agosto de 2014 at 11:18 am

    Mas aquele colchão coube em que carro? Gostaria de ter visto a foto do colchão no carro de vocês. Pura curiosidade…
    Parece que em outros países as pessoas têm mais tempo para fazer as coisas, aqui a gente perde tanto tempo no trânsito que estamos sempre atrasados. Vejo pelo meu filho e família que moram nos EUA, que dizem trabalhar muito, mas sempre estão mais tranquilos em relação a horários e com tempo suficiente para cuidar das próprias coisas.
    Adorei saber de suas experiências. Beijos

  • Reply
    Lucia Castelo Branco.
    7 de agosto de 2014 at 7:38 pm

    É, acho que estou precisando aprender porque hoje o meu chuveiro queimou e não sei trocar a resistência. vou precisar da ajuda de alguém para me ensinar. É mole?

  • Reply
    Noemia Colonna
    9 de agosto de 2014 at 9:45 am

    O DIY, além de demonstrar o quanto somos capazes, demonstra ainda o quanto podemos parecer menos idiotizados e inúteis, quando viramos e dissemos: “não sei”, para consertar um mínimo detalhe. Lindo texto, querida, tão bom aprendermos da vida, né? Também estou nessa caminhada e vou levar o estilo pro Brasil:-) Bjkas

  • Reply
    Iana Leite Martins
    25 de agosto de 2014 at 9:12 am

    É realmente essa de “Faça você mesmo” nos torna pessoas melhores. Nos ajudar a valorizar a vida em cada segundo, o valor do trabalho é outro. Quando a gente economiza estamos pagando a nós mesmos e muda a relação do cuidado com o desperdício, da preservação e tudo mais.
    Bjs.

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