1 de maio de 2015 Por
7 Em Áustria/ Europa/ Reflexões/ Viagens

Campo de concentração: um museu das atrocidades humanas

O post de hoje não tem nada de divertido, muito pelo contrário é macabro e forte, mas faz parte da história da Áustria e da humanidade.

Esse mês é comemorado 70 anos do fim da segunda guerra mundial.

image

Depois de quase uma década morando aqui consegui, finalmente, visitar Mauthausen, o maior campo de concentração da Áustria.

O “museu” fica a 30 min de carro da casa da minha sogra, que mora em Linz. Eu sempre quis visitá-lo, mas o maridex me enrolava com simples desculpas. Uma hora dizia que era inverno, outra que era quente demais e assim sempre adiando. Na verdade acho que ele não queria me ver triste.

Mas dessa vez fui enfática e acabei convencendo-o a me acompanhar até lá. Ufa!

Bom! Mas esse não foi o primeiro campo de concentração que visitei. Ano passado, estive na Alemanha com meus irmãos, e passamos uma tarde inteira no Sachsenhausen. Só que lá não tem quase nada. Ou seja, imaginação pra que te quero!

O guia falava “aqui era …. a câmara de gás”, e um espaço vazio, e  “aqui o crematório”, outro espaço vazio. E onde tinha uns galpões usados como prisão teríamos alguns minutinhos pra olhar. Tudo bem subjetivo.

Dessa vez foi um pouco diferente.

Em Mauthausen, tem mais coisas para ver dessa história de terror. O campo era a central de 49 outras unidades  menores, construídas no país.

Iniciamos a visita por um campo de futebol. As partidas eram assistidas por pessoas que não tinham a menor idéia que apenas um muro de pedra as separava do cenário macabro.

Estranhamente, logo ao lado estavam os galpões de medicina onde vários corpos eram exumados. Relatos de pessoas que assistiram às partidas mostram que muitas delas sequer registraram a quantidade de corpos que saiam dos galpões de medicina.

Passamos pelo memorial enorme e chegamos ao escritório dos generais alemães. Nosso guia nos contou a história de que um deles “presenteou” o filho de 14 anos com a oportunidade de fuzilar um judeu. O menino contou o episódio aos coleguinhas da escola com orgulho do que havia feito! Muito Triste!

Aqui ficava o general que ensinou seu filho a odiar.

Em seguida vimos o lugar dos primeiros procedimentos pelos quais  um prisioneiro passava. Após o registro, eles eram completamente depilados e tomavam uma ducha, onde a temperatura variava de 4 a 60 Graus, dependendo do humor negro dos nazistas. Depois cada preso recebia seu uniforme devidamente identificado com  o símbolo do grupo a que pertencia.

E assim fomos visitando cada barraco.

Acredita que até bordel tinha no local!? Mas não era para ser frequentado  pelos alemães. As mulheres vinham de outros campos de concentração e levadas para lá, com a promessa de ️que após um ano de “trabalho” seriam libertadas. Pura mentira! Elas foram usadas por prisioneiros que pudessem pagar por seus serviços. Alguns deles  podiam receber dinheiro, no banco, enviado pelos familiares. A maioria dessas mulheres morria antes de completar um ano no local.

A situação era precária demais e os prisioneiros tinham muitas regras a seguir no campo de concentração.  Imaginem uma cidade confinada.

Ao entrar nos galpões, temos uma  sensação estranha ao pensar nas barbaridades que ocorreram por ali.

Os barracos inicialmente tinham canteiros de flores no lado de fora, e foram feitos para abrigar 300 presos, o que já é complicado visualizar tanta gente num espaço tão pequeno. Depois esse  número subiu para 2.000. O banheiro tinha apenas 8  vasos sanitários.

Imagine  7 anos sobrevivendo em péssimas condições, com racionamento de água e comida além das violências físicas e morais diárias.

Os prisioneiros mais antigos começaram a desenvolver estratégias  de sobrevivência, aprendendo a negociar, pois tudo era escasso. E a cada ano a situação piorava.

Os números são assustadores na “cidade” do horror.

Mais de 100 mil pessoas morreram ali. Diversos procedimentos médicos para pesquisa  foram aplicados naquele lugar, a maioria com requintes de maldade. Sem contar as torturas executadas. Um verdadeiro inferno em vida.

Dentro do campo de concentração ainda tinha uma prisão destinada  àqueles que descumpriam as regras.

É possível ver no campo a pedreira onde muitos  acabavam morrendo durante o duro e desumano trabalho.

A câmara de gás, onde até 120 pessoas eram eliminadas de uma única vez, se mantém intacta. O processo de execução tinha duração de até 20 minutos. Os prisioneiros que possuíam dente de ouro eram marcados para que antes de incinerarem os corpos, as plaquinhas de fossem retiradas. Mais de 24 kg de foram removidos.

E outros mil detalhes de um capítulo tão recente e tão triste na história da humanidade.

É incrível ver um lugar que carrega um peso da brutalidade humana ser rodeado por uma natureza tão linda.

Mas, infelizmente, faz parte da história,que os austríacos, se pudessem, apagariam de suas memórias.

Diferente dos alemães, aqui ninguém gosta muito de falar do assunto. Antagonicamente, é possivel ver, quase que mensalmente na TV local, filmes relacionados ao episódio.

E ai seguem as fotos🙈. Elas são tristes.

Campo de concentração

entrada principal

image

Aqui era a pedreira. Note que as casas ali atrás já existiam na época da horror.

image

entrada dos oficiais

image

Memorial.

image

Parte do memorial

image

Cerca elétrica

image

Esse é o primeiro barraco que os prisioneiros passavam

image

esse forno era utilizado para desinfetar as roupas dos mortos que seriam utilizadas pelos novos prisioneiros.

image

Aqui era a ducha geral

image

Assim eram identificados os presos

image

Definitivamente não há motivos para sorrir aqui.

image

Um barraco para 300 pessoas e depois chegaram a abrigar 2 mil.

image

Prisão dentro do campo de concentração. Prisão dentro da prisão.

image

Olhando para cima da para ver montanhas e uma linda cidade

image

Ta vendo a grama ali ao lado do barraco, no inicio eram plantadas flores por ali.

image

Um cemitério onde milhares foram enterrados.

image

cemitério

image

image

No museo

 

image

Hoje existe apenas um campo. mas na época era o barraco utilizado para as experiências médicas

image

usado para transportar pedras

image

crematório

image

Memorial com o nome de todos os presos identificados.

image

Livro de registro

image

câmara de gás

image

Uma cena triste

image

Memorial as mulheres

image

pátio onde era feita a contagem dos presos

image

Um lugar triste da história da humanidade.

 

O conteúdo desse Blog pode ser reproduzido, desde que a fonte http://www.femmevolatil.com seja indicada.

Texto e fotos: Kely Martins Bauer

Revisão: Maria Lucia Castelo Branco

kely Pelo Mundo

Veja também

7 Comentários

  • Reply
    zelia
    1 de maio de 2015 at 2:19 pm

    Triste muito triste…
    Sem palavras.

  • Reply
    luiz
    1 de maio de 2015 at 4:00 pm

    A humanidade que existem em nós é capaz das maiores crueldades até as mais gratificantes expressões de bondade para com o outro. É essa a razão pela qual tudo se torna possível quando tratamos da imprevisibilidade humana entre iluminar o mundo ou enchê-lo das mais densas trevas. Esse elogio a loucura demonstra o poder do Estado em destruir a sociedade em um regime guiado por uma ideologia voltada para a supressão das liberdades e dos direitos individuais. A democracia, a liberdade de expressão, por mais imperfeições que apresentem ainda se configuram como a grande saída em oposição às inúmeras ditaduras a que somos submetidos no mundo. Bjs papai

  • Reply
    Iana Martins
    3 de maio de 2015 at 11:43 am

    Realmente muito triste e o mais intrigante disso tudo, é o fato de Hitler jamais ter pisado em qualquer campo de concentração. Quando estivemos na Alemanha pude sentir o sentimento de vergonha do povo alemão e a profunda necessidade de mudar através das novas gerações, onde o respeito à individualidade humana. Jamais esquecerei: o que vi me trouxe um outro olhar. Bjs Mana

  • Reply
    Jacqueline
    5 de maio de 2015 at 3:56 pm

    Definitivamente um lugar muito triste, mas que deve ser lembrado para que nunca mais aconteça. Adoro seu blog.

  • Reply
    Campo de concentração: o museu das atrocidades humanas. - Puta Letra
    25 de maio de 2015 at 4:37 am

    […] Outras fotos você pode ver aqui. […]

  • Reply
    Lidiane
    20 de fevereiro de 2017 at 6:20 pm

    Estive também no Sachsenhausen quando fui a Berlim, visitar um campo de concentração é realmente muito forte. Vou ver se consigo ir ao Mauthausen pois você disse ser bem diferente do Sachsenhausen no sentido que muito da estrutura está lá.

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      21 de fevereiro de 2017 at 10:13 am

      tem sim! è bem interessante e muito triste toda a estória, mas é possível ver os barracos ainda e alguns pertences. Só nao sei como chegar de transporte público. Fica longinho de Viena. Vic a20 km de Linz

    Deixe um comentário