2 de dezembro de 2016 Por
1 Em Dica de Viena/ Reflexões/ Viagens/ Viena

Ballet na ópera de Viena: THOSS/WHEELDON/ROBBIENS 3 histórias incríveis

A dança clássica é uma arte extremamente sexy. Afinal, através dos movimentos do corpo, podemos contar muitas histórias referentes aos sentimentos humanos, expressando os dramas da humanidade, como amor, ódio, paixão e leveza.

Pra quem não sabe, dancei ballet clássico por mais de 15 anos, sou uma amante do Ballet e de operetas, e consagradas Óperas também conquistaram meu coração. Geralmente essa arte é admirada por mulheres, em sua  maioria, certo? Bom, eu também pensava assim, mas, para minha surpresa, tenho aqui em Viena alguns amigos que gostam de dança mais que suas mulheres. Na sua visão apurada, a dança clássica é uma arte extremamente sexy. Sob essa perspectiva, eles realmente têm razão. Afinal, através dos movimentos do corpo, podemos contar muitas histórias referentes aos sentimentos humanos, expressando os dramas da humanidade, como amor, ódio, paixão e leveza.

E depois dessa conversa com um desses amigos, passei a ter um olhar diferente ao observar as histórias contadas nos palcos, bem como ao assistir a história contada no Ballet ao qual fui na última sexta feira de novembro.

O nome da apresentação  era THOSS/WHEELDON/ROBBIENS, que nada mais é do que o sobrenome dos seus coreógrafos. Foram três apresentações distintas, coreografadas por Stephan Thoss, Christopher Wheeldon e Jerome Robbin.

PRIMEIRO ATO  – O SEGREDO DO BARBA AZUL 

O primeiro ato durou uma hora e foi apenas um trecho do ballet ” O segredo do Barba Azul”, cuja história conta o relacionamento de Barba-Azul e sua jovem esposa Judith. A cena inicial se passa na sala de jantar escura e, à medida que a história é contada, portas e paredes se movem para dar movimento a cena.

O ballet moderno é extremamente tenso, preciso e forte, expressando, pelos movimentos, os sentimentos de paixão, desejo, traição, inveja  e morte.  A primeira bailarina, com um vestido amarelo forte, interpreta uma jovem que expressa os altos e baixos de um amor complicado.  Barba azul  mantém um tipo de relacionamento  que oscila entre a agressão e a procrastinação, sensualidade e poder. Já Judith aceita sua postura em nome de um amor a ser fortemente conquistado, sem perder a doçura. A trama mostra que Barba Azul era um rico aristocrata, assustador e  já se tinha casado seis vezes, mas ninguém sabia o que tinha acontecido com as esposas, que desapareceram. Casado recentemente com Judith, o Barba Azul entregou todas as chaves da casa para a esposa, incluindo a de um pequeno quarto que ele a havia proibido de entrar, pois iria viajar por um período.

Logo que ele se ausentou, a mulher ficou curiosa para saber o que havia no quarto proibido. Após alguns dias ela resolveu bisbilhotar o quarto, descobrindo o macabro segredo do marido: o chão do quarto estava todo manchado de sangue, e os corpos das ex-esposas do Barba Azul estavam todos ali. Apavorada, ela trancou o quarto,   não percebeu que havia deixando rastros de sangue na chave.

Quando Barba Azul retornou, percebeu imediatamente o que sua esposa tinha feito. As demais cenas do ballet são extremamente envolventes e o ato se  encerra com Judith atravessando uma das portas do quarto, dando um ar tenso à trama.

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SEGUNDO ATO – PARAÍSO DO TOLO 

O segundo Ballet foi composto por coreografias de  Fool´s Paradise, que, traduzindo, significa Paraíso do Tolo. As danças em duetos e trios, coreografadas por Christopher Wheeldon, contaram a possibilidade de um mundo ideal de amor tolo, através da música “A morte do Cisne” de Joby Talbot.

A trilha sonora, com seus tons fortes, mesclados aos tons suaves, proporcionou  uma magia emocionante e sexy aos movimentos dos bailarinos. A leveza dos bailarinos, vestidos em roupas cor da pele, expressou a possibilidade de um amor em harmonia, independentemente  do que está acontecendo ao seu redor. E as poses bonitas, as passagens e as transições entre os bailarinos em sintonia, foram o ponto alto das coreografias.

Também foi muito interessante observar a formação de esculturas humanas maravilhosas que permaneceram imóveis por segundos. Para finalizar o ato, os bailarinos posaram formando uma pirâmide humana geometricamente perfeita, onde a leveza da dança neoclássica foi abrilhantada com pétalas douradas que caíram ao fundo do palco, simbolizando ouro escorrendo do céu.  Podemos considerar um Ballet envolvente, leve e gostoso de se ver.

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TERCEIRO ATO  – AS QUATRO ESTAÇÕES 

O terceiro e último ato encerrou o espetáculo de maneira leve e deliciosa, com o Ballet “As Quatro Estações”, que pode ser considerado a joia da noite, uma vez que foi visível a expressão de alegria e sorriso nos rosto dos espectadores ao ver as coreografias ao som da consagrada música de Giuseppe Verdi.

Como o próprio nome sugere, foram representadas as quatro estações do ano, iniciando com o inverno, época dura devido às baixas temperaturas. O ballet clássico mostrou, de uma maneira doce e leve, a beleza da estação, com as bailarinas que, vestidas de Tutu branco, trouxeram encanto e alegria.

Em seguida, veio a primavera, com bailarinas vestidas em tons claros de verde e amarelo, representando a delícia de uma estação mais agradável. Já o verão, chegou caracterizado pela forte cor vermelha e por um romance entre um homem e uma mulher, já que os corações estão mais aquecidos pelas altas temperaturas. E, por último, o belo outono, que trouxe a ideia de maturidade e colheita do último ciclo que completa da vida.

Podemos definir o Ballet como encantador, alegre, dinâmico e sensual. E, de uma forma leve, conseguiu aquecer meu coração.  Foi também incrivelmente inspirador, uma vez que, ao assisti-lo, muitos pensamentos e sensações vieram à minha cabeça, e me pus a  refletir e observar que definitivamente tudo na vida tem suas fases, e em cada uma delas é possível identificar  uma beleza particular e exclusiva.

Bom, vou ficando por aqui, e digo que vale muito a pena ver esse espetáculo ou qualquer outro na ópera de Viena.

Espero que você tenha gostado. Logo mais trarei um post sobre outro Ballet incrível e informações preciosas para quem for visitar a ópera de Viena

Crédito das fotos: Wiener Staatsballett / Ashley Taylor

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PRIMEIRO ATO  – O SEGREDO DO BARBA AZUL

 

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SEGUNDO ATO – PARAÍSO DO TOLO 

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SEGUNDO ATO – PARAÍSO DO TOLO OBSERVE AS PÉTALAS DOURADAS

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SEGUNDO ATO – PARAÍSO DO TOLO

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TERCEIRO ATO – AS QUATRO ESTAÇÕES VERAO

TERCEIRO ATO – AS QUATRO ESTAÇÕES PRIMAVERA

TERCEIRO ATO – AS QUATRO ESTAÇÕES PRIMAVERA

kely Pelo Mundo

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Comentários

  • Reply
    Ópera de Viena um lugar para incluir no seu roteiro - Kely pelo Mundo
    20 de março de 2017 at 11:06 am

    […] Ballet e de operetas, e consagradas Óperas também conquistaram meu coração. Em novembro assisti THOSS/WHEELDON/ROBBIENS um Ballet  incrivelmente inspirador. Vale muito a pena ver esse espetáculo ou qualquer outro na […]

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