7 de abril de 2015 Por
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As verdades que uma história tem.

advogados-2Desde criança sempre ouvi dizer que um fato pode gerar diferentes histórias. E não é que é verdade!? Talvez eu pense assim por vir de uma família de advogados, onde minha mãe, tio, primos e irmão resolveram seguir a carreira promissora. Analisando um pouco mais, descobri que no fundo sempre considerei a profissão um tanto o quanto misteriosa.

Sempre achei fascinante as possibilidades, e até mesmo, a incrível capacidade das artimanhas de defesa e acusação, na manipulação da informação de um mesmo caso.

Cheguei a pensar em ser jurista, mas, por outro lado, achava aquele punhado de regras muito chatas. E lá com meus 17 aninhos, optei por estudar comunicação e não direito, apesar de achar que psicologia deveria ter sido também uma escolha. O estudo ainda anda na minha “To do” lost ops list! Rs.

Me tornei jornalista por um acaso. Sempre soube que a comunicação era meu forte. Queria mesmo ter me tornado relações públicas, mas passei no vestibular para uma universidade que só tinha jornalismo ou publicidade.

Teria que escolher qual caminho seguir. Acabei optando pelo jornalismo quando minha melhor amiga de classe me mostrou que meu talento estava mais para o lado investigativo do que para o publicitário. Isso porque meu empenho era latente para tentar encontrar respostas, e preparar a melhor versão para descrever a “verdade”. Com isso a profissão de jornalista caía melhor que a de publicitária.

Porém, com o passar dos anos, percebi que a verdade, por mais que investigada, sempre teria diversos pontos de vista. E dentre tantos pontos, qualquer um deles muitas vezes não passariam de um pequeno ângulo dentro de um todo, ou seja, um ponto, um mísero ponto de vista.

ponto de vista

E assim me frustrei na carreira. Afinal descobri que, como na advocacia, no jornalismo também iria, dependendo da situação, sempre defender interesses; ora acusando, ora defendendo.

E por capricho da vida acabei mudando de ramo. Fui desvendar o campo dos negócios e das exatas no mundo financeiro, onde as coisas são mais objetivas.

Porém, ainda trabalho com pessoas, que, às vezes, possuem uma capacidade criativa sensacional!

Muitas das nossas atividades precisam se alinhar às regras vigentes do setor, que, também, por sua vez, são ditas e analisadas por advogados ou pessoas do ramo.

E por ironia do destino, de novo me deparo com as possibilidades de interpretação.

É assim a vida!

Não existe verdade concreta nem para as exatas, imagina para as humanas.

E por falar em “humanas”… nos relacionamentos pessoais também não é diferente.

Quando um problema, especialmente familiar, surge, temos a mesma história, porém contada por perspectivas diferentes. Cada um acusando ou defendendo a parte que lhe cabe.

Há os que investigam, há aqueles que tomam os fatos, apenas fatos, como verdade, sem avaliar o contexto. Há inclusive os atores, aqueles que encenam tão bem algo, que acabam convencendo o público. Esses sem dúvida, são os melhores.

Mas, de qualquer forma, em toda história, principalmente nas conflituosas, há sempre a vítima e o opressor. Tudo vai depender de quem conta o “causo”.

Acho que no fundo, não importa que caminhos escolhemos, somos todos advogados, ora do diabo, ou ora de outras, mas nem tantas, da verdade.

Mas afinal de que lado fica a verdade!?

Abraços e até próximo post

 

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O conteúdo desse Blog pode ser reproduzido, desde que a fonte http://www.femmevolatil.com seja indicada.

Texto: Kely Martins Bauer

Revisão: Maria Lucia Castelo Branco

Foto: A do ponto de Vista é o meu amigo Vitor Manzi  já as outras da internet. Se alguma foto for sua e você deseja que ela seja creditada ou removida, por favor entre em contato. Iremos atender sua solicitação o mais breve possível. Obrigada.

kely Pelo Mundo

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Comentários

  • Reply
    Marilene Lessa de Santana
    8 de abril de 2015 at 4:48 am

    Muito bom! Inteligente, como sempre!

  • Reply
    Luiz Martins
    8 de abril de 2015 at 1:27 pm

    É Kely…. você tem razão! O ser humano é frágil, incompleto e jamais vai conhecer a verdade… pois a verdade é uma construção associada aos nossos mais íntimos interesses e misérias humanas, ou à nossa credulidade mais pura, infantil e romântica.Sempre haverá uma versão dos fatos que, por sua vez, será sempre incompleta, inconsistente e grassada de desejos ocultos, sentimentos mal resolvidos, acusações criadas por nossas fantasias e maldades interiores. Mas há um momento em que tudo acaba e só ficam algumas lembranças que se diluem no tempo. Umas boas, outras nem tão boas assim, que aos poucos vão se apagando de modo que, quando já não somos atacados pelo fogo da paixão do momento somos até capazes de compreender e aceitar. O humano é apenas humano: frágil, incompleto, cheio de contradições e inconsistências. Nisso reside o grande desafio de nos desvendarmos por meio do espelho que está à nossa frente: o outro.

  • Reply
    Iana Martins
    28 de abril de 2015 at 12:35 am

    O Ser Humano está sempre em busca de si mesmo…essa é uma das verdades. Essa luta interna é que faz o Homem criar ou destruir. Talvez dentre os animais da natureza, o Homem torna-se o mais perverso, justamente por usar a capacidade de destruir a si.

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