20 de janeiro de 2016 Por
13 Em Reflexões/ Viena

7 motivos para não morar em Viena

Eu sou uma loucamente apaixonada por Viena e quem lê meus textos identifica isso rapidinho. Quando escrevi para o blog Brasileiras pelo mundo 10 razões para morar em Viena não imaginava que teria tantas pessoas me escrevendo para saber informações daqui, especialmente depois que a cidade foi qualificada por 6 anos consecutivos como a melhor cidade do mundo para se viver.

Viena é, sim, uma cidade que parece um conto de fadas. Quem vem passar férias na capital austríaca se encanta com tudo, mas morar aqui também tem seus aspectos negativos.

E olha que eu tive e tenho um mega suporte do meu marido que é austríaco. Isso contribuiu com mais de 80% para facilitar minha adaptação na cidade. Mas isso não acontece com todo mundo – tenho várias amigas que vieram na mesma situação, mas odeiam Viena.

Eu sei que a cidade não faz parte do roteiro de muitas pessoas que pretendem morar fora do Brasil, mas caso você queira conhecer um pouquinho, vou te contar o outro lado da moeda.

nao morar 1

1. Clima – Acho que o número um no ranking das reclamações por aqui é sem dúvida o frio. O inverno dura cerca de seis meses, de novembro a abril. E estou falando de frio mesmo, aquele que dói no osso. A meia estação dura cerca de quatro meses. Ou seja, de verão são só dois meses e com direito a dias chuvosos, o que significa que se chover a temperatura cai consideravelmente.

Viena é uma cidade onde venta muito e isso a deixa mais fria e muito cinzenta, o que traz sempre aquela depressão de inverno. Eu tenho isso e posso te garantir que é terrível. E o pior… Percebo que quanto mais tempo a gente morar por aqui, em vez de melhorar parece que piora, pois vamos ficando saturados de termos poucos dias de calor. Se quiser mais sobre o inverno, acesse esse link e esse aqui também.

Se você for uma pessoa que ama o calor e o sol, certamente o seu lugar não é aqui. E se você acha que gosta de frio, não se iluda, o frio daqui é insuportável. Tenho uma amiga que ao chegar em Viena sempre mencionou amar o frio. Depois da primeira temporada de inverno, mudou rapidinho de ideia. Frio é lindo em foto.

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2. Língua – Na Áustria se fala alemão. A língua é muito difícil, especialmente para quem nunca teve contato anterior com o idioma. É um processo bem frustrante e eu cheguei até a chorar durante o aprendizado.

Primeiro porque tinha pressa e a língua não se aprende em 4 meses.
Segundo porque a sensação de incapacidade é enorme, principalmente nos primeiros 6 meses e continua por alguns anos.
Terceiro e o pior de tudo é que você tem a sensação de que praticamente o que você aprendeu na escola não serve para quase nada. Afinal os austríacos se comunicam em dialeto, que quase chega a ser uma outra língua. Há inclusive uma piadinha que diz assim: “eu falo 9 línguas estrangeiras, todas elas em alemão austríaco”. Ou seja, a piada nada mais é que um retrato da realidade, onde cada estado possui um dialeto.
Não conheço ninguém que não tenha passado por essas etapas. Você até consegue sobreviver por um tempo com inglês por aqui, mas é imprescindível aprender o alemão. Isso facilita a vida de qualquer um, pois tudo está escrito em alemão. O dia a dia é em alemão: as informações nas estações de metrô, os produt

Para conviver com austríacos, isso é essencial. As pessoas até conversam com você em inglês para ser gentis, mas depois elas voltam a conversar entre elas em alemão e você fica meio que isolado. É natural que isso aconteça.

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3. Mau humor e grosseria – Austríaco é meio mal-humorado, especialmente em Viena. Por aqui há uma cultura de jammerei  que nada mais é do que reclamar de tudo e de todos o tempo todo. Mas nem tudo está perdido. Existem dois tipos de vienense: aquele que é super brincalhão e aquele que é super grosso e reclamão. Tudo isso você só descobre depois que aprende a língua.

Fora isso, tem muitos, especialmente os estrangeiros, que são meio brutos. E há uma tática interessante: se você é gentil com alguém e recebe uma resposta de forma grosseira, o jeito é ser grosseiro que a pessoa passa a ser gentil com você. É triste falar isso, mas essa é uma realidade por aqui.

4. Preconceito – Nunca sofri nenhum tipo de preconceito, mas conheço algumas pessoas que já passaram por isso – especialmente mulheres morenas ou negras. E é verdade porque já presenciei uma cena. A filha de um amigo meu tinha oito anos e reagiu de uma forma constrangedora quando viu uma amiga minha. Ela ficou extremamente nervosa e chamando pela mãe falando, “mamãe, mamãe, ela é negra!”. Daí eu cuidadosamente expliquei para ela que existem várias raças e etc.

Esse foi um episódio para ilustrar que existem centenas de outros casos cometidos por adultos. Além do preconceito racial existe o preconceito social e cultural. Estrangeiros especialmente do leste europeu e da Turquia são bem discriminados por aqui. Existem ainda outros tipos de preconceito de forma velada.

5. Atendimento médico – O sistema de saúde é bom, mas o atendimento é ruim. Os médicos por aqui não gostam de te informar exatamente o que você tem. Eles se incomodam quando começamos a questionar. Além disso, existe um procedimento bem estranho. Por exemplo, você vai ao ginecologista, faz o exame de rotina e volta para casa com a seguinte informação: se o seu exame acusar alguma infecção a gente te liga. Esquisito né? Além disso, a maioria dos médicos se enquadra na categoria descrita no ponto três.

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6. Poupança – Não venha com a ideia de construir um patrimônio ou fazer dinheiro rapidamente, como a gente sempre ouve falar de casos bem sucedidos nos Estados Unidos. Aqui se vive bem, mas os custos são elevados e os impostos são altos, o que consome bastante seu salário bruto. Ah! Na Áustria, quando se fala de salário se menciona sempre o valor bruto, nunca o liquido que é em torno de 35 a 50 por cento inferior ao salário bruto.

7. Distância da família – Se você for muito apegado à sua família certamente sofrerá em terras estrangeiras. As famílias austríacas são bem diferentes. Pelo menos nas que eu conheço há uma certa reserva em termos de envolvimento. Há muita cerimônia entre os integrantes das família. Tios e amigos não interferem na educação e formação das crianças. Eu no inicio achei muito estranho, mas depois me acostumei. Confesso que sinto saudade dos abraços calorosos e divertidos dos familiares.

Essas são algumas das dificuldades de morar por aqui. Espero ter contribuído com você.

Abraços e até o próximo post!

Texto publicado no Blog: www.brasileiraspelomundo.com um site cheio de curiosidades pelo mundo.

kely Pelo Mundo

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13 Comentários

  • Reply
    daisydmramos@gmail.com
    20 de janeiro de 2016 at 12:08 pm

    Oi Kely, estou na Áustria faz 1 ano, total identificação com o seu texto e ainda acrescentaria mesmo Viena eleita por 6 anos consecutivos como a melhor cidade p/ se viver, não pensem que roubo só acontece no Brasil. Aqui também, especialmente no U6 aconteceu comigo. Enfim, vida que segue…faça frio ou calor, estamos bem vivos e isso basta! Bjs

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      31 de janeiro de 2016 at 8:57 am

      Olá Dayse, obrigada pelo seu comentário. Fiquei muito feliz de receber seu recadinho.
      Realmente a vida mudou bastante nos últimos 4 anos. Vemos casos de pequenos furtos dá uma raiva né? mas pequenos roubos e maldades pertecem a raça humana não é mesmo? Triste, mas a vida sempre tem seu lado estranho, mas não podemos focar nisso, né? Afinal foi uma opção estar aqui.
      Obrigada e um bom dia
      beijos
      Kely

  • Reply
    Iana Martins
    21 de janeiro de 2016 at 9:31 am

    Morar em Viena é completamente diferente de visitar Viena, com olhar de turista, deslumbrado com tudo, não dá para ter noção da rotina diária. Assim, como em qualquer lugar. Só quem nunca morou fora de primeira residência fica sem noção. Há uma questão importantíssima que lembro, foi até você mesma, Kely, quem falou: É a questão de que ninguém se instala em Viena puramente, sem dar satisfações do que foi fazer em Viena, onde mora, onde trabalha ou estudo, se é casado ou não, se tem filhos… Em Viena a fiscalização funciona, o senso de responsabilidade é alto nível, e também por isso a organização é referência também. Em Viena o Estado tem responsabilidade com o cidadão. Isso me chamou a atenção (aliás muitas coisas me chamaram a atenção) porque, é claro que administrar 83.853 Km2 de Viena, não é mesma coisa de administrar 8.515.767,049 km2 do Brasil (atualmente falar de Brasil não é referência de quase nada), mas dá para notar que é possível. Defeitos? Claro, há muitos… Será que que o frio, as guerras, contribuíram em quanto para um país ser tão organizado?
    Beijos mil.
    Iana

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      31 de janeiro de 2016 at 8:59 am

      Iana obrigada por seu comentário. Não tenho dúvida que não se pode comparar Áustria com nenhum outro lugar do mundo. Eles possuem uma outra história na área cultural e educacional, né? Beijos

  • Reply
    Iana Martins
    21 de janeiro de 2016 at 9:34 am

    Morar em Viena é completamente diferente de visitar Viena, com olhar de turista, deslumbrado com tudo, não dá para ter noção da rotina diária. Assim, como em qualquer lugar. Só quem nunca morou fora de primeira residência fica sem noção. Há uma questão importantíssima que lembro, foi até você mesma, Kely, quem falou: É a questão de que ninguém se instala em Viena puramente, sem dar satisfações do que foi fazer em Viena, onde mora, onde trabalha ou estuda, se é casado ou não, se tem filhos… Em Viena a fiscalização funciona, o senso de responsabilidade é alto nível, e também por isso a organização é referência também. Em Viena o Estado tem responsabilidade com o cidadão. Isso me chamou a atenção (aliás muitas coisas me chamaram a atenção) porque, é claro que administrar 83.853 Km2 de Viena, não é mesma coisa de administrar 8.515.767,049 km2 do Brasil (atualmente falar de Brasil não é referência de quase nada), mas dá para notar que é possível. Defeitos? Claro, há muitos… Será que que o frio, as guerras, contribuíram em quanto para um país ser tão organizado?
    Beijos mil.
    Iana

  • Reply
    obenhuber
    24 de janeiro de 2016 at 9:06 pm

    Oi Kely,

    adorei seu blog ! Sou Austriaco e apaixonou com uma Brasileira (ela se chama Érika e ta no aviao nesse momento para mudar pra Austria 😉 Por isso to interessado em coisas relacionadas com Brasil aqui em Viena e descubriu seu blog. Sobre o mau humor dos Austriacos eu concordo que na Austria é bem mais provavel encontrar pessoas assim que por exemplo no Brasil mas por sorte mesmo sendo um pais pequeno ainda tem suficientes pessoas aqui que sao gente boa. Entao so tem que achar eles para aproveitar a vida daqui completamente. E para aguentar o frio sempre tem a opcao de passar um tempinho no Brasil nessa época do ano 😉

    bjs,
    chris

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      31 de janeiro de 2016 at 9:11 am

      Olá Christoph, obrigada por deixar um comentário por aqui.
      Primeiramente te desejo muita sorte e amor nessa nova fase. Morar em Viena é um lindo desafio. Eu amo essa cidade e particularmente já aprendi a lidar com o mau-humor de algumas pessoas. Pra te falar a verdade só percebi essa caracteristica anos depois que eu já morava por aqui. Meu ciclo de amizade é feito por muitos austríacos gente boa. E gente mau-humorada e de mal com a vida tem em qualquer canto. Quanto ir ao Brasil no inverno é uma opção também para fugir do frio. Sem levar em consideração que o frio intenso como antigamente acho que não existirá mais.. triste, porque de certa forma aprendi a gostar disso também. Obrigada mais uma vez por expor sua opinião e aproveite para assinar o blog e compartilhar se você gostar. Sucesso na vida com a Erika. Abraços Kely

  • Reply
    Vânia Romão
    26 de janeiro de 2016 at 10:50 am

    Kely, essas listas (positivas ou não) sempre rendem um bom assunto. Há pessoas que concordam e outras que discordam. Entretanto, eu acho super importante mostrar os dois lados da moeda, principalmente para quem pensa em imigrar, né? Parabéns pelo texto!
    Beijos.

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      31 de janeiro de 2016 at 9:19 am

      Oi Vania, que legal ter vc por aqui. Muito bom esse contato virtual né? Obrigada pelo comentário. Acho super importante a gente dar umas dicas para facilitar a vida das pessoas. Quando cheguei por aqui vim com a cara e coragem, e hoje percebo o quanto é bom compartilhar as coisas né? Um beijo

  • Reply
    Mariana
    23 de fevereiro de 2016 at 11:17 pm

    Kely, td bem? Acompanho seu blog e adoro seus snaps =)
    Meu marido e eu estamos com planos de nos mudar pra Viena por causa da empresa que ele trabalha.
    E dentre tantas duvidas que passa na minha cabeca, a principal é como funciona para alugar um apartmento, precisa de quais documentos? precisa ter conta em banco ou de um contrato de trabalho?
    Se puder me ajudar, agradeço =)
    Um grande beijo,
    Mariana.

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      1 de março de 2016 at 6:13 pm

      Olá Mariana,
      Que bom… Espero que ame essa cidade o tanto quanto eu .
      Olha só para contrato de apartamento parece que está tudo meio linkado. Muitos lugares pedem uma caução no valor de 3 meses do aluguel. fora isso deve pedir o contrato de trabalho.
      Abrir conta em banco é muito fácil. Acho ue nao terá muito trabalho. Se vier através do trabalho do seu marido nao tenha tantas preocupações, geralmente as empresas ajudam nessa questão de aluguel e documentação.
      Vamos trocando figurinhas
      Beijos
      Kely

  • Reply
    Karlla
    18 de março de 2017 at 2:22 am

    Oi, Kelly! Obrigada por suas dicas super valiosas. Olha, eu queria saber se durante o verão a temperatura eh estavel. Moro em Melbourne (Australia) e o verão daqui eh meio complexo. Pode fazer 42 graus e de repente cair par 15 no mesmo dia. Isso acontece ai durante o verão? Obrigada desde ja!

    • Reply
      Kely Martins Bauer
      20 de março de 2017 at 9:24 am

      Oi Karlla,
      Obrigada pelo comentário. O verão é muito quente por aqui. Temos 35 graus, mas as vezes temos muita chuva e a temperatura cai para 12 a 15 … tudo tao curtinho que já me acostumei.
      🙂 Vc vem passar férias por aqui?
      Beijos
      Kely

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